eSports: a nova realidade do Desporto Mundial
Os chamados desportos
eletrónicos têm evoluído no sentido da sua transformação numa nova modalidade
desportiva e em paradigma das novas gerações. Ademais, o mercado dos eSports
apresenta-se com um enorme potencial de desenvolvimento económico.
Mas o que são os eSports?
De forma sucinta, apenas os podemos caracterizar como uma organização de
competições que se baseiam em interações meramente virtuais e online entre os
seus praticantes, que buscam obter um resultado, que, por maioria de razão
será, também ele, virtual. Estima-se que a primeira competição se tenha
realizado em 1972 na Califórnia, quando um grupo de estudantes universitários
decidiu competir pela maior pontuação no jogo “Spacewar”. Mas apenas em 1980
foi organizado o primeiro grande evento de eGaming, que contou com mais de
10.000 participantes – O Space Invaders Championship. Sem prejuízo, foi apenas
em 1997 que foi fundada a primeira empresa de organização de eventos de
eSports. Desde esse momento a evolução não tem conhecido precedentes.
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| Fonte: https://nonprofitquarterly.org/2018/08/22/egaming-as-college-sport/ |
Evidentemente que, e como
vem sendo hábito, a velocidade do legislador ainda não foi suficiente para a
acompanhar o rápido crescimento do eGaming, particularmente no que diz respeito
à realidade jurídica nacional. Como fenómeno mundial, e de acordo com um
relatório da Goldman Sachs, o setor dos eSports poderá faturar qualquer coisa
como 2,5 mil milhões de euros até 2022, o que representa um aumento de cinco
vezes face à faturação atual. Isto significa que o mercado (ou negócio, se
preferirem) dos eSports começa a assumir uma posição de gigantismo na economia,
tendo alguns países construído arenas apenas para a prática de eGaming
(nomeadamente Coreia do Sul e Estados Unidos da América).
Ora, este fluxo económico que gira em torno
das competições de eGaming e o seu desenvolvimento astronómico, coloca desafios
e obstáculos jurídicos que urge regular e cuja explicação nos levaria para um
estudo de outra dimensão. A realidade jurídico-desportiva ver-se-á obrigada a
enfrentar desafios como o desenvolvimento de mecanismos de prevenção de
manipulação informática, os temas relacionados com a contratação de praticantes
e com as respetivas idades. Este problema é de fácil entendimento na medida em
que, os eSports abrem a possibilidade de um praticante se profissionalizar
muito mais cedo do que seria normal noutras modalidades em que apenas seria
encarado como um atleta de formação. Coexistem ainda outras questões
relacionadas com a proteção das marcas, direitos de transmissão e merchandising
associado, entre outras.
Em Portugal, o mercado
está em franco crescimento, sendo que durante os anos de 2017 e 2018 várias
marcas de grande dimensão (Allianz, Continente, Worten, etc..) começaram a
associar-se aos eSports, o que culminou com a organização da Lisboa Games Week,
que bateu recordes quer ao nível de participantes quer, também, no que diz
respeito aos visitantes. Nesta senda, a Federação Portuguesa de Futebol
registou um crescimento astronómico no número de praticantes e de clubes, sendo
que neste momento existem cerca de meio milhão de jogadores de futebol virtual
só em Portugal.
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Fonte: https://www.lisboagamesweek.pt/
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As estruturas de regulação desta nova modalidade encontram-se cada vez mais centralizadas, tendo a Federação Portuguesa de Futebol “tomado conta” das maiores competições de futebol virtual existentes em Portugal, e aplicado os seus estatutos e código de conduta aos praticantes que participem nestas competições (para mais informações consultar: https://esports.fpf.pt/pt/competicoes). Foi também criada a World eSports Association (WESA) para centralizar e regular o movimento eSports do ponto de vista mundial. No mesmo sentido o Parlamento Europeu já começou a discutir esta problemática, ao passo que o Comité Olímpico admitiu durante o ano de 2018, que esta nova modalidade teria todo o potencial para se tornar Olímpica.
Em suma, existe uma lacuna
jurídica crescente que urge preencher por parte do legislador nacional e europeu.
Mas, se por um lado, o legislador europeu já iniciou a sua discussão sobre o
tema, o português ainda se encontra expectante, o que nos fará perder lugares
neste mercado cada vez mais competitivo. De acrescentar ainda que com o
desenvolvimento dos eSports se abriu um chamado “sweet spot” para investidores
que vêm com cada vez melhores olhos a aposta neste mercado que já se tonou
também muito rentável para os praticantes.


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